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O avanço da tecnologia na agricultura: novidades e desafios.

Atualizado: 17 de Jun de 2019

Para uma população mundial estimada em 9,7 bilhões de pessoas, o mundo necessitará produzir 60% de alimentos a mais até 2050.


Demanda projetada pela ONU-FAO (2015) prevê que o mundo necessitará de 60% de alimentos a mais para uma população estimada de 9,7 bilhões de pessoas até 2050. Importante fator deste cenário futuro é a necessidade presente da aplicação de novas tecnologias para a redução do uso de agroquímicos e, consequentemente, mais segurança alimentar, racionalização do uso da água, redução de impactos ambientais na atmosfera e desperdícios.




Mapeamento realizado pela NASA (2017) identificou que 7,6% da extensão territorial brasileira são ocupados pela agricultura, enquanto que 76,8% na Dinamarca, 74,7% na Irlanda, 66,2% nos Países Baixos, 63,0% no Reino Unido e 56,9% na Alemanha.


Com uma superfície total de aproximadamente 8,5 milhões de km2, 66,3% da extensão brasileira correspondem em áreas de proteção e preservação da vegetação nativa, 30,2% são ocupadas por atividades da agropecuária, enquanto 3,5% compõem cidades, infraestrutura, dentre outros (CNA, 2016).


Dada a importância sobre o tema e a preocupação com a escassez de recursos naturais, a tecnologia tem encontrado na produção de alimentos um campo vasto de desenvolvimento e crescimento, destacando a criação de startups, denominadas Agtechs, voltadas à agricultura.


Censo Agropecuário 2018


O número de agtechs deve crescer 150%, com base no último censo agropecuário realizado pelo IBGE (2006). Esta é a expectativa do resultado da nova pesquisa, na qual deverão ser visitados 5,2 milhões de estabelecimentos rurais no país, com previsão de conclusão em junho/2018. Dentre os fatores importantes para expectativa da expansão, há a observação de um movimento crescente na sucessão das propriedades agrícolas, em paralelo um incremento de inovação trazida por uma nova geração de gestores, principalmente em estabelecimentos de agricultura familiar.


Inteligência artificial


O estudo publicado pela universidade americana de Stanford-EUA (2018), "The Future of Food. These seven technologies are making farms smarter" revela que a agricultura, setor anteriormente pouco afetado pela tecnologia, será agora tomado por inovações constantes nos próximos anos. A preocupação com a produção por mais alimentos com o menor impacto ambiental e com o menor custo, em paralelo às mudanças climáticas e o êxodo das pessoas no trabalho agrícola, tem encontrado na tecnologia o melhor caminho.


 "Esta é uma indústria que todo mundo precisa. Todo mundo come. Assim, as mudanças que melhoram a produtividade para um número relativamente pequeno de agricultores serão ampliadas para ajudar a todos" Haim Mendelson


O estudo cita também o crescente olhar de investidores em setores da tecnologia na agricultura, como foi a compra realizada pela Monsanto da empresa de big data The Climate Corporation por US$ 1,1 bilhões em 2013.


  • A pesquisa prevê ainda outros investimentos em inteligências, como:

  • Inovações de produtos (US $ 4,36 bilhões em investimentos): Novas tecnologias, como edição de genes ou agricultura celular;

  • Mercados digitais (investimento de US $ 682 milhões): Permitem que os agricultores aluguem equipamentos, reúnam-se para obter um seguro melhor ou se conectem a clientes locais;

  • Software de operações (US $ 129 milhões em investimentos): ajuda os agricultores a tomar melhores decisões operacionais, rastrear recursos ou produtividade e economizar dinheiro;

  • Recursos (US $ 755 milhões em investimentos): Novos sistemas de irrigação empregam água e fertilizantes altamente direcionados, usando menos de cada um, enquanto as fazendas urbanas e verticais utilizam menos terra e reduzem os pesticidas;

  • Ferramentas de criação de habilidades (investimento menor): incluem vídeos, serviços de voz de linha direta e aplicativos móveis que ajudam os agricultores a compartilhar experiências.


Um dos exemplos da aplicação da inteligência artificial no campo veio da empresa suíça ecoRobotix, por meio do seu robô autônomo para aplicação reduzida de agrotóxicos no combate de ervas daninhas em áreas cultivadas. Movido por energia solar com autonomia de 12hs sem recarga, o robô move-se orientando-se e posicionando-se por meio de  GPS. Seu sistema de visão permite seguir linhas de colheita e detecta a presença e posição de ervas daninhas dentro e entre linhas. Dois braços robóticos aplicam uma microdose de herbicida de forma direcionada apenas às ervas daninhas detectadas. O fornecimento de energia solar permite ao robô uma autonomia completa em energia, mesmo em dias nublados. Sua velocidade se adapta em campos de baixa/média densidade de ervas daninhas para manter uma velocidade razoável de avanço. A máquina é totalmente controlada e configurada por um aplicativo no smartphone.


Fonte: ecoRobotix


No Brasil, outro bom exemplo da aplicação da tecnologia veio por meio do robô da startup AgroRobótica, que utiliza lazer e inteligência artificial para análise de solos em larga escala, de forma limpa e acessível. Sem gerar resíduos, o robô é capaz de analisar 1.500 amostras por dia, fornecendo dados de quantidade de carbono orgânico do solo, textura (teores de areia, silte e argila) e pH. A tecnologia permite identificar a necessidade correta de insumos para correção do solo de forma equilibrada, evitando gastos desnecessários, além de contribuir com a preservação das jazidas de corretivos e fertilizantes não renováveis.  



Fonte: AGROROBOTICA


Drones e VANTs

O relatório produzido pela Delegação da União Europeia no Brasil e Governo Brasileiro Federal, por meio do MDIC (2016), sob o título Estudo Sobre a Indústria Brasileira e Europeia de Veículos Aéreos Não Tripulados, destacou as principais aplicações comerciais de drones atualmente, dentre elas:


  • Pulverização, inspeção de lavouras através de infravermelho, produção de mapas 3D e análise de solos de áreas cultiváveis;

  • Censos florestais e de vida selvagem, etc;

  • Inspeções, manutenções de estruturas e inventário de ativos florestais ou não;

  • Transporte de cargas úteis (payloads) mais pesadas e vôos com distâncias mais longas;

  • Monitoramento e avaliação de risco, gestão de sinistros e prevenção de fraudes;

  • Filmagens e fotografias aéreas, publicidade, espetáculos e efeitos visuais especiais;

  • Monitoramento de fronteiras, áreas de segurança e eventos com aglomeração de pessoas.

O estudo cita ainda benefícios da utilização da tecnologia na redução da exposição humana em tarefas longas, monótonas, insalubres ou perigosas, além dos benefícios ambientais, por meio da redução do consumo de combustível em grandes máquinas e, consequentemente, menos emissões de CO2.


No Brasil, após a regulamentação do uso de drones, realizada em 2017 pela ANAC, o registro de drones para fins profissionais disparou, partindo de um total de 5.375 registros em julho/2017, chegando à marca dos 14.855 até maio/2018, revelando um crescimento de 276% até o momento. De maneira geral, o registro de drones partiu de 12.792 para 40.070 no período, perfazendo um crescimento de 313%.



Fazendas Urbanas


As fazendas urbanas correspondem a instalações produtivas no espaço urbano por meio de grandes estufas construídas sobre edifícios. Um grande destaque deste modelo é a utilização de recursos sustentáveis, como a energia solar, obtida por meio de painéis fotovoltaicos, bem como a reutilização da água e o cultivo sem o uso de agrotóxicos.

Outro importante fator desse modelo é a eliminação dos impactos do clima nas plantações, posto que as instalações são climatizadas, irrigadas, iluminadas e monitoradas por meio da tecnologia digital. 


Um exemplo é a Gotham Greens, localizada em Chicago-EUA, identificada como a maior fazenda urbana do mundo em 2016, com 7mil metros quadrados construídos sobre o teto de uma fábrica.


Fonte: Gotham Greens


Conectividade


Um dos eventos marcantes na Agrishow (maio/2018), maior feira agrícola da América Latina (presença de 70 países), foi a apresentação do modelo de trator autônomo e sem cabine da fabricante CASE. Dentre as suas características, o projeto-piloto é montado sob uma interface interativa, que permite ao operador o monitoramento remoto das operações pré-programadas de cultivo e semeadura, com sensores de segurança para detecção de movimentos e percurso automático por meio do geo-referenciamento de áreas, etc.


Fonte: BeefPoint


Ponto de destaque do futuro da tecnologia será a intensificação da internet das coisas, definição dada a dispositivos eletrônicos interconectados por meio de uma rede eletrônica, para troca simultânea de dados e interações com pessoas ou entre si. São exemplos disto, além dos veículos autônomos, as residências automatizadas por meio de sensores que interpretam comandos e acionam dispositivos para a comodidade humana.

Com uma projeção de mercado em torno dos US$ 8 bilhões (IDC), a internet das coisas poderá movimentar um volume expressivo de investimentos em tecnologias também na agricultura, na qual terá um campo vasto para automatização por meio digital.


Desafios


Com uma produção agrícola estimada em 229,3 milhões de toneladas para 2018, o Brasil possui ainda grandes vantagens internas, como clima, solo e relevo, e portanto uma grande oportunidade de aumento da produção e exportação de alimentos no futuro.

No entanto, grandes desafios para a agricultura no Brasil estão ligados a alguns fatores, como:


  • Agrotóxicos: um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado por agrotóxicos. Este dado é parte integrante do dossiê produzido pela ABRASCO (2015), que alerta para o uso indiscriminado de produtos nocivos, destacando que cada ser humano no Brasil consome, em média, 7,3 litros de agrotóxicos ao ano.


  • Internet:  a infraestrutura e qualidade do acesso à internet nas áreas cultiváveis são ruins ou inexistentes, o que inviabiliza o uso de tecnologias digitais, tanto para modernização de processos produtivos quanto para acesso a informações ou comunicação.


  • Alto custo de tecnologias: dados do Censo Agropecuário IBGE (2006) revelaram que 84,4% dos estabelecimentos rurais são de base familiar e ocupam 74,4% da mão de obra que está no campo, enquanto que o valor bruto de produção mensal por propriedade familiar, em média é de 0,46 salários mínimos, inviabilizando investimentos para a maioria dos produtores.


  • Formação de pessoas: 19,6% dos produtores pesquisados pelo Censo Agropecuário IBGE (2006) têm o ensino fundamental completo ou mais, sendo que, portanto, a maioria não tem instrução. A pesquisa revelou que a baixa escolaridade tem relação direta com o recebimento de orientação técnica por quem dirige o estabelecimento, enquanto que  produtores com instrução igual ou inferior ao ensino médio incompleto, apenas 16,8%, receberam apoio técnico, e os produtores com ensino fundamental completo este percentual foi de 31,7%. Já para produtores com nível superior, exceto aqueles com formação em ciências agrárias e veterinária, a assistência técnica alcança 44,7% dos estabelecimentos. 

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